Porque Mário Vargas
Llosa
é um dos meus
escritores preferidos,
e, antes de ser nomeado, já há muito o apontava como merecedor do Nobel,
e porque foi doutor honoris causa pela FCSH da Nova,
deixo aqui as suas palavras aquando do doutoramento.
Escritor Vargas Llosa
defende o espírito crítico
da literatura.
Llosa alertou para os perigos da "sociedade do
espetáculo" que vivemos e a ditadura da tecnologia, e defendeu uma literatura que "mantenha o espírito
crítico, sem a qual desapareceria a liberdade".
***
A literatura é
um prazer, mas se for apenas isso, provavelmente empobrecia na sociedade algo
de que depende, na sua essência, o progresso humano, que é o espírito
crítico, afirmou Llosa.
"Nada nos ensina melhor que um livro".
Vargas Llosa afirmou que é do tempo em que os
escritores acreditavam na literatura como "arma eficaz para
combater as injustiças, em que as palavras eram armas, como escreveu Jean-Paul
Sartre, e com elas se podia influenciar a história e, como escreveu
Arthur Rimbaud, mudar a vida".
O escritor defendeu que a literatura deve "combater
eficazmente os demónios e os males que grassam numa sociedade".
Enfatizando a força da literatura, Llosa referiu a
"desconfiança pertinaz e sistemática ao longo da história" de todos
os regimes ditatoriais, que estabelecem "de imediato um regime de controlo
e censura" das obras de ficção, "esse sistema tão benigno de contar
histórias, que atiçam o coração humano".
"Se não fosse essa insatisfação,
que a literatura alimenta, o homem nunca teria saído das cavernas e alcançado
as estrelas".
- O escritor hispano-peruano falava na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, depois de ter recebido o grau de Doutor Honoris Causa daquela instituição, apadrinhado por Francisco Pinto Balsemão, presidente do conselho geral da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, e proposto pelo poeta e catedrático Nuno Júdice, que fez o elogio académico. (in: Público)
